quarta-feira, 15 de abril de 2009

Marquês de Sade o escambau!

Nessas horas o que preciso é concentração, concentração na areia do meu copo, as coisas menos importantes. É nessa hora que eu vou prestar atenção no latido dos mais de oitenta cachorros do vizinho, no barulho que a geladeira faz, na conversa do porteiro, nas brigas do apartamento ao lado.
Porque só assim, elevando a alma e desviando a mente, que eu consigo meu amor próprio. Só assim que eu me convenço que apesar de você ser um dos sádicos mais cruéis que passaram na minha vida, eu não sou nem me permito ser masoquista, não mais.
Guarde seus contos, Marquês de Sade, para alguma fraca e submissa serviçal, no MEU MUNDO eu sou rainha, mais um deslize seu e:
- CORTEM AS CABEÇAS!

Atenciosamente, Rainha de Copas.
Ela assovia a musiquinha
O sol está branco
Seu vestido é verde forte
[e cor-de-rosa]

E quando ela para de ouvir
Aquela música doce
Involuntariamente, ela sorri

Passa um passarinho
Acompanha a melhodia
O cheiro vem forte da cozinha
- Alice, pequenina... comidinha!

Uma rapidinha...

São muitos pensamentos
Tantos que saem meados pela boca
E se perdem outros tantos
Num paralelo da mente

04/11/2008

Tentando se concentrar nas coisas que fazia, ela vira e mexe perde a atenção por causa da música que toca, do som dos tiros, do grito do jogador de futebol. Vã atitude a sua, pegar alguns livros e tentar acalmar a mente, ele não entende, ele é diferente, não adiantar explicar.
Espero que aguente!
CORAÇÃO E MENTE.

01/2009

Quando ela lembra dos dias que passava sozinha
Da vitalidade
Dos cigarros à escrivaninha
A saudade confunde seu coração

Um misto de vontade de voltar à podridão
Um misto que mistura com razão

São tantos medos e planos
Tantas vezes feitos e desfeitos
Que parece sempre tudo uma grande encenação
O que ela nunca deixou de amar a espera
A tantos quilômetros de terra
Que faz cansar o coração

Mas a espera é mútua
Será que ela sabe disso, então?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Nus.

Estamos nus, sentamos no sofá da sala, com a televisão desligada, e o cheiro de café vindo da cozinha. Tudo é branco e salmão, são nossas peles e os lençóis. Lençóis cheirosos, peles claras e secas. O clima está razoável, nem frio nem calor, mas a manhã está bem clarinha, bem branca, de deixar teus olhinhos apertados.
A gente consegue ficar uma eternidade sentados nos olhando, nos admirando, como que passando um filme dentro de nós, o mesmo ao mesmo tempo. Com a mesma trilha sonora que sabemos que é nossa.
E eu sinto de longe o gosto da sua boca, mais grossa na parte debaixo, cor de goiaba e quentinha. Eu sinto o gosto da tua pálpebra, eu sinto o gosto dos teus olhos verdes e cerrados. Eu sinto o gosto do teu cabelo castanho claro, ondulado, um pouco grosso, cortado curtinho, sempre um pouco bagunçado. Eu sinto o gosto da sua língua macia e lisa, gosto de uva, daquela uva, daquele vinho, daquela intensidade, daquele dia.
Sua cor é a medida certa para mim, é um branco cru, uma mistura perfeita com olhos, boca e cabelo. Seu braço branquinho, pequeno, macio, gostoso de sentir. Seu abraço carregado, pesado e sincero, que tanto faz falta aqui.
Eu ouço você falando baixinho no meu ouvido, sua incapacidade de soltar altos brados! Sua educação e preocupação com meu bem-estar.
E te vejo novamente deitado na sala, da primeira vez que te vi sem camisa, que eu mesma despi, que você suava, estava quente, estava como um filhotinho desgarrado, precisando de carinho, atenção e cuidados. Foi meu momento maternal, que selou cada sentimento posterior meu.

Você foi muito pra mim há muito tempo. Foi filho, pai, mãe, amigo, assassino, vítima, inimigo e amante em muitas outras vidas. Somos ligados há séculos, tenho certeza. E sempre acabamos por continuar tendo pendências de vida, para sempre voltarmos a nos encontrar. Hoje você é amante, amigo, pai e filho, cada um no seu momento de necessidade. Eu sou uma mãe orgulhosa e coruja, sou uma amante fiel e fervorosa, uma amiga apaixonada e uma filha acalantada. Você é tudo que se encaixa em mim, perfeitamente e em todos os aspectos. Somos sexo, alma e coração.

domingo, 12 de abril de 2009

O nascer do sol intenso

O sol da manhã é branco
Porque a noite leva todo o peso
E o dia traz a leveza

E é isso que acontece ao decorrer das horas
Tudo se amarela, como papéis velhos
Então a lua é uma fruta madura
É o sol amarelado do fim do expediente

Mas é branca porque tudo é um ciclo
E a noite é o momento mais perto do dia

E como sempre preciso fazer referência
A leveza é insustentável
Somos Alices no País das Maravilhas